É menina, venho eu mais uma vez falar do que já deviam
saber: a escravidão do ego. Em escrito anterior mencionamos pequena receita
diária simples para o livramento de muitas amarras que ecoam nos espíritos por
entre suas encarnações.
Ora, analisemos de forma singela: se a existência do
espírito encarnado (este plano) objetiva tão somente a resiliência diante das
mazelas acumuladas em outras experiências, por quais motivos o indivíduo
calcula ser ele mesmo aquém das suas próprias culpas? Se lógica houvesse nesta
reflexão, não haveria motivos para ainda estar preso neste plano físico. É como
nos tempos da senzala. Nego via comida e trabalho escravo, mas não sabia porquê
vivia. Quem dera todos que vivem no físico pudessem entender que o Quilombo
mora dentro de cada um... hehehe (risos e cheiro de palheiro...)
Trocando em simples palavras, diante de boa analogia, me
refiro tão somente aos indivíduos que relutam em mudar suas atitudes,
desperdiçando assim, mais uma encarnação.
Uma hora a vela acaba e não existirá outra chance em acender
nova chama. Bem dizendo também na analogia simples, uma hora você não terá mais
encarnações para “gastar” para aprender o que já deveria ter assimilado há
tempos.
Por isso detalho mais uma vez que a análise diária de seus
pensamentos e atitudes são primordiais para que a riqueza espiritual cresça. De
certo, sem tais pausas para análise, mudanças significativas são mais difíceis
de ocorrerem.
A forma mais direta de acessar tais canais de mudança é a
meditação, embora muitas pessoas apenas façam orações.
Orar é agradecer e pedir. Meditar é equilibrar o espírito a
necessidade imediata. Diante de problemas o que mais ouvimos são orações de
diversas naturezas. Não há privilégio por necessidade, mas o merecimento é
componente primordial. Todavia, a oração por sí e o merecimento não garantem
que as solicitações poderão ser atendidas. No duplo etéreo energias físicas
(elementais) podem ser necessárias para que se obtenha o caminho esperado. Mas
um componente tão sublime e disposto a todos é comumente ignorada: a meditação.
Veja, se dizemos sempre que o merecimento é componente
primordial, como então há de se alcançar tal merecimento? Medite e encontrará
este caminho.
Diante de tamanha procura aos nossos tocos, de como “ajeitar
a vida”, me sinto no dever de ensiná-los a como fazer uma meditação serena e
farta de resultados. Partindo de um espírito que hora se apresenta como médico,
hora como preto velho, não devem esperar uma receita de remédio caseiro, tão
pouco um banho de ervas. Mas o que irei ensinar é simples e ao mesmo tempo
dolorido.
Você vai precisar de: um copo d’água e uma vela. Se você não
tiver a vela, não se importe com isso, a chama acesa pode ser a do coração. Mas
se há a disposição a vela, use-a com sabedoria, como irei ensinar.
Embutido na oração está um pedido ou agradecimento. Na
meditação estão embutidos os seguintes passos:
1) O que sou.
2) O que espero ser.
3) O que devo fazer.
Se pensar com simplicidade e exatidão nos princípios que o
levam a crer na passagem por esta encarnação, saberá que o que você é deve ser
melhorado, o que você espera ser é o que se propôs antes de estar neste plano e
o que deve ser feito para alcançar seu aprendizado é a reforma íntima
necessária.
Solene reforma, digo com toda certeza. Solene porque quando
concluída, festejamos do lado de cá com tamanha alegria pela conquista de
nossos guiados. Enquanto alguns encarnados apenas choram diante dos percalços
ou apelam ao vitimismo, nós sentamos ao lado e com mãos estendidas nos
oferecemos para uma meditação de seus atos que levam ao entendimento dos
resgates. Chorar e orar é mais fácil do que meditar, por suposto que sim.
Porém, apenas por falta de conhecimento. Orar diariamente é sublime, mas meditar
é reconstrutor de conceitos. Se você optar por reconstruir conceitos
diariamente, terá uma reformar íntima em doses homeopáticas e o caminho será
prazeroso e proveitoso.
Entretanto, ao negar sua condição atual e a desejada, já
comprometida por sua própria alma antes desta passagem, estará deixando em
débito diversas ações de mudança para uma única ocasião. Aviso: a reforma será
dolorida.
Quando a escravidão do ego leva o indivíduo à reforma íntima
em pequeno espaço de tempo, as marcas são grandes e o esboço da história tende
a ser de grandes repercussões. A dor comanda o crescimento, mas sentir tanta
dor de uma vez é uma questão de escolha. Não há razão para deixar débitos
crescerem. Faça a sua paga diariamente, mudando hábitos, atos, palavras e
pensamentos. Com um copo d’água disposto em local sereno, acenda uma vela e
interiorize seus sentidos para a sua existência. Ouça a sua respiração, os
batimentos cardíacos. Se não conseguir ouvi-los, repense no local que faz a
meditação. É necessário um local sem inferências, no máximo uma melodia plana e
quando possível, sons da natureza (parques, quintais, fontes d’água).
Localizado seu “eu interior”, questione-se: o que você é?
Certamente que há um papel seu na sociedade, seja de genitor, filho, empregado
ou empregador. Todavia, a definição que se faz necessária é do seu próprio
espírito. Quem é você? Arrogante? Companheiro? Insensato? Amoroso? Egoísta?
Estudioso? Manipulador? Caridoso? Diante de tantos adjetivos a avaliação
própria tende ser inócua. É comum o espírito em sua prisão material ser gentil
demais consigo mesmo e um verdadeiro carrasco com os que lhe não causam afeição.
Porém, seja gentil consigo mesmo, mas verdadeiro. Não entalhe as palavras para
que seu ego seja afagado. Se olhe diante do espelho da sua consciência e se
defina de maneira direta. Sem medo, sem dores, sem preconceitos ou vergonha.
Afinal, se você não sabe quem é, como pode ter a insensatez de querer ser algo
melhor?
Faça a segunda pergunta: o que espero ser? Obviamente que
tudo o que há de ruim deve ser substituído por bom. Onde houver mazelas, que
estas sejam execradas e plantadas em seus lugares novas mudas de amor para si
mesmo. Nesta questão as respostas são diversas, pois alguns precisam mudar
muitos conceitos, outros nem tanto. Cada qual com seu qual e proporção.
Definida a sua reforma do dia, reflita sobre como agiu no
dia que se finda e como deveria ter agido para ser o que espera e não o que é.
Não esqueça de relembrar isso ao amanhecer do dia, para que antes mesmo de agir
por instinto, refaça os caminhos já imbuídos em sua existência. Nada está posto
que não seja possível de melhoras. Falo desde pequenos gestos até os vícios
mais deprimentes.
Ecoe em seus pensamentos as mudanças necessárias e
pratique-as. Desta maneira terá orgulho de quem será ao final do dia e
certamente ao meditar mais uma vez, estará galgando novos andares na sabedoria
existencial.
Perceba que a reforma diária é uma dádiva e esta depende tão
somente da sua disposição e hábito de meditação e reflexão. Independente de
magias exuberantes, entregas extravagantes e a empáfia de feitores que nada
fazem a não ser perder tempo em troca do vil metal (falsários que prometem vida
financeira fácil e relacionamentos por troca de dinheiro). Tudo o que lhe for
necessário será provido conforme seu merecimento. Para merecer, medite e se
refaça a cada dia.
A vela? Se dispuseres de uma, acenda e ofereça ao seu perdão
próprio e ao crescimento que está disposto a fazer no dia seguinte.
A água? Beba.. afinal de contas, seu corpo precisa muito
dela para se hidratar.
Me despeço com a lástima de saber que poucos chegarão até
estas linhas e que menos ainda se importarão em praticar o que lhes ensino. Mas
há de chegar o tempo em que com tantas outras linhas escritas, estas se farão
mais presentes do que o próprio pensamento do dia.
Salve a Seara de Mãe Benta!
Pai José de Aruanda
Fonte: https://www.vobenta.com/psicografias