Vivenciamos situações de ganhos e perdas em nossa rotina
diariamente e durante toda nossa vida, no tempo, no trabalho, no amor, na fé,
na família, com amigos, nas escolhas e opções, e até mesmo na organização
pessoal.
Isso é o que exatamente todos reclamam, visto que, nem
sempre podemos angariar ganhos, temos que ter nossas parcelas de perdas, pois
ao mesmo tempo é o que dá significado à vida, é o que nos faz distinguir os
acertos dos erros e nos faz valorizar nossos esforços, nossa capacidade de
entender que perdas são parte de um processo de aprendizado.
Quando as perdas envolvem vínculos afetivos pessoais, sonhos
de relações amorosas desfeitos, nos afeta de forma mais profunda, pois o
primeiro sintoma estabelecido dentro de nosso coração é o sentimento de
traição, nosso ego é ferido, nosso corpo desprezado, mais um amor enganado.
O amor é visto na espiritualidade diante das perdas como um
sinal para, em ato de reflexão mais íntima e ponderada, revermos e revertermos
nossas atitudes com maturidade, resignação, resiliência e esperança.
O sentimento do perder faz parte de um jogo que pode ser uma
companhia diária e permanente em nossa vida, pois em muitas situações está
ligado a outros sentimentos como a solidão, tristeza, desesperança e medo, mas
quando se sofre uma perda é sinal que estamos agregados a algo, a alguém ou
mesmo a um pensamento de significado bastante importante para nós, ou
unicamente a algum interesse próprio.
A vida em nosso dia a dia deve ser construída, revista com
olhos prudentes voltados para o íntimo e para o externo e desta forma sendo
remodelada, reconstruída, constantemente, de acordo com a vivência que
absorvemos, com a experiência que adquirimos durante toda nossa permanência
neste plano. Porém e sem duvida também com as orientações de coerência,
paciência, equilíbrio e perseverança, que recebemos da religião da Umbanda, que
nos ajuda a avaliar se a mudança que leva a reconstrução esta no caminho correto,
se nossos entendimentos são claros dentro dos princípios estabelecidos pela
espiritualidade que nos conduz a luz do esclarecimento e do aprimoramento
espiritual.
A perda levanta muitos questionamentos existenciais, mesmo
porque quase ninguém está preparado para tal, sendo assim, a possibilidade e a
capacidade de ver a vida de maneira diferente e mudar nossos conceitos e
valores vai se estabelecendo e se aprimorando através de vários exemplos e
lições que nos são impostos, a medida que vivemos e amadurecemos.
Quando se perde um ente querido ou um amigo, a impressão que
se tem é de um vazio profundo, um sentimento de que a vida nos traiu, nos
desestabilizou, a felicidade foi embora e assim perdemos nossa estrutura, nosso
sentido de viver. Um dia uma Preta velha me disse e nunca mais esqueci que “num
momento de perda, deve-se agregar todos os sentimentos construídos durante todo
o tempo de nosso relacionamento nesta vida, porque o sentimento transcende o
espaço e o tempo, não se limita apenas ao contexto físico, tudo o que se ama de
verdade nunca morre, é a verdadeira vida eterna.”
A Umbanda com suas orientações nos ajuda muito a controlar e
principalmente entender o sentimento de perda, faz parte do contexto, faz parte
de nossa história, de nosso verdadeiro crescimento espiritual e amadurecimento
humano, sem ele nosso aprendizado estaria incompleto e nossa permanecia neste
mundo teria sido em vão.
Texto escrito pela Mentora Espiritual Sônia Moreno
Fonte: https://www.caboclopenaverde.com.br/cpt_mensagem/perdas-e-ganhos/
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