sexta-feira, 12 de dezembro de 2008

O ritual de coroação na Umbanda


















Falaremos um pouco sobre o ritual da coroação de acordo com a doutrina umbandista, em especial, da forma como o ato é realizado na APEU.
A coroação compreende uma demonstração de que o médium alcançou um nível aceitável em seu desenvolvimento, pois a entidade já possui total domínio sobre seus pontos de força (chacras), importantíssimos para um bom trabalho espiritual (não confundir com o médium ser ou não consciente). Assim, o que o ritual representa é que depois de coroado o médium passa a ter maior responsabilidade, pois está apto a servir de instrumento em consultas com suas entidades. Poderá também participar de trabalhos mais pesados: (desmanches, desobsessões, demandas, entre outros), e ajudar no desenvolvimento de médiuns mais novos na casa. Note que não tem nenhuma relação com formação sacerdotal, mas trata-se apenas, de um novo estágio que a pessoa alcança em sua evolução mediúnica. Para comprovar isso, no dia da coroação, a entidade mentora daquele médium tem de incorporar e confirmar seu nome (normalmente ela já o fez antes da coroação). Depois revela a falange em que trabalha, risca seu ponto e traduz sua representação, e, se possível, poderá passar também seu ponto cantado. Tudo acontece, diante do mentor da casa, que confirma (ou não) o que foi declarado. Além disso, quando se torna possível, recorre-se ao auxílio de um médium clarividente (com a chamada vidência superior), para firmar seu dom e ver a luz do ponto riscado, informando se o mesmo está correto.
Depois disso, sob um cântico apropriado para a ocasião, o mentor da casa, num ato simbólico, coloca uma coroa preparada com vegetais na cabeça do médium incorporado e todos os presentes saúdam a entidade.
Assim, o médium coroado torna-se apto a participar de determinados trabalhos, que exigem um maior conhecimento e principalmente, um melhor entrelaçamento com suas entidades espirituais, além do total domínio de sua mediunidade, coisa que um médium em desenvolvimento ainda não tem.
Porém é importante que ele tenha consciência de que a humildade deverá prevalecer e que, daquele momento em diante, suas responsabilidades serão aumentadas. Caso contrário, os verdadeiros Guias de Luz se afastam, fazendo com que, em pouco tempo, sua “coroa” perca o brilho, deixando-o à mercê das influências de espíritos imperfeitos que se aproximam dos orgulhosos e vaidosos.

Texto de Sandro da Costa Mattos
Extraído do JUB – JORNAL UMBANDA BRANCA – edição de agosto/2007 – vinculado à APEU –
http://www.apeu.rg.com.br/

2 comentários:

Anônimo disse...

Allan Costa - esclareça uma duvida, a entidade a qual é referida na coroação, e o orixá ou caboclo (a)?

Fabiana Garcia disse...

Desculpa a minha ignorância, mas como se traduz um ponto riscado na coroação? Poderia ser mais específico