quinta-feira, 2 de fevereiro de 2017

Mediunidade, Incorporação e Meditação

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Hoje eu pretendo falar um pouco sobre meditação e sobre Deus. A ideia de falar sobre meditação como uma ferramenta junto da mediunidade e a favor de uma qualidade de vida.
Para dar inicio uma história que era contada por Bruce Lee, sou admirador e gosto muito de artes marciais, o Kung-Fu tem uma base chinesa que se inspira muito no Taoismo e no Confucionismo, evocando a sabedoria milenar destas tradições. Vamos ao conto oriental:

Um lenhador estava na mata cortando arvores (provavelmente o mesmo mestre lenhador da outra historia…), estava cortando arvores com o seu machado e ele pressentiu um movimento, algo se aproximando. Eu não sei quem assistiu o seriado “Lost”, mas me faz lembrar um pouco aquela fumaça negra do Lost que ia entrando na mata; e esse lenhador estava na mata, ouviu um barulho chegando. Ele percebeu algo chegando… viu um dragão se aproximar… um dragão de verdade, enorme, assustador… soltava fumaça pelo nariz, fogo pela boca e o lenhador pensou:

“_estou com um machado na mão, então quando o dragão se aproximar eu vou acertar esse machado bem no meio da testa. Logo em seguida ele pensou: “_vou pra cima do dragão com o machado”.

Quando o lenhador pensou em acertar o dragão (com o machado); o dragão foi para o outro lado. Então mais uma vez ele pensou: “agora eu vou para o outro lado e vou acertar o machado no dragão.” E o dragão desviou uma, duas, três.. vezes. O lenhador percebeu que tudo o que pensava, antes de realizar o dragão já sabia, se esquivando e evitando de ser pego ou acertado com o machado… O dragão lia seus pensamentos, o que tornava impossível acertá-lo.

Se dando conta da impossibilidade de pegar o Dragão, aceitou a condição e o fato da impossibilidade de capturá-lo e voltou a lenhar, cortando arvores com seu machado.

Quando a mente do nosso lenhador esvaziou, cortando arvores, o machado escapou da sua mão e acertou o dragão no meio da testa. O dragão foi atingido no momento em que ele parou de pensar em como acertá-lo, no momento em que voltou a atenção à sua atividade principal e esvaziou a mente…

Então isso tem muito a ver com meditação e também com Mediunidade… pois criamos “monstros” e “dragões” como este o tempo todo em nossa mente e como são criações nossas dentro de nossa mente estes “monstros” sabem tudo o que pensamos… e enquanto estamos focados em destruí-los muitas vezes só os alimentamos e damos força…

Como na incorporação e mais especificamente no desenvolvimento mediúnico, porque uma das maiores dificuldades para incorporar é “parar de pensar”; não pensar em nada. É nestes momentos que ouvimos frases como:
“firme a cabeça”, “deixa vir”, “solte o corpo”, “esvazia a mente”…

Quando você esta em desenvolvimento e o Caboclo fala “firme a cabeça”, então a gente pensa se é pra “segurar a cabeça”, o que é pra fazer nesse “firma a cabeça”… Firmar a cabeça tem o sentido de colocar os seus pensamentos em um único objetivo certo, incorporar.

“Não Vacila”, quer dizer não se entregue a devaneios isso e o que, e pra você firmar a sua cabeça neste momento, no agora, e não em outros lugares. É para não dispersar. Não colocar a mente em outro lugar.

“Soltar o corpo” não é soltar as pernas para cair no chão e sim entregar-se para que uma outra vontade domine os movimentos do seu corpo, da sua mente. A incorporação acontece na mente, a entidade que incorpora domina o seu mental e por meio dele controla todas as funções do corpo.

“Esvazie a Cabeça (mente)”. O maior drama no desenvolvimento é o auto questionamento: “Será que sou eu ou é o meu guia” e quanto mais a gente pensa mais difícil é de acertar esse “dragão” que assombra o desenvolvimento mediúnico.

Quanto mais eu “encuco”, quanto mais eu me questiono, quanto mais penso mais difícil fica incorporar. Há médium que não consegue parar de pensar em outras coisas, atividades do trabalho, da casa, do lar, da família. Por isso quando chega ao templo, o ideal e ter alguns momentos de meditação, harmonia, ouvindo uma música ou não. Ter um momento de serenidade, de tranqüilidade para que você possa esquecer todo o resto que ficou do lado da rua e que deve estar do lado da rua, não devemos trazer para dentro do templo no momento da incorporação todos os nossos problemas, antes de incorporar devemos nos esvaziar.

Sabendo da dificuldade em esvaziar-se é que entra a importância da meditação como uma arte do esvaziamento, para aprender e treinar o silenciar a mente, o não pensar. Os resultados são incríveis e vão muito além do beneficio mediúnico, a pratica da meditação trará qualidade de vida em todos os campos.

Na maioria das vezes não estamos por inteiro nas nossas atividades, fazemos muitas coisas ao mesmo tempo e inda muitas vezes fazemos algo pensando em outras coisas… A meditação também nos ajuda a ser e estar no aqui e no agora por inteiro o que nos dá mais poder de concentração, entrega e consciência do que queremos em nossa vida.

Pensamos varias coisas, muitas coisas ao mesmo tempo e isso traz stress, nervoso, angustia, pânico, fobias e outros desequilíbrios que refletem em falta de paz. Dentro da gente fica uma ansiedade emocional, mental e psicológica que é reflexo desse pensar, esse continuo pensar em varias coisas ao mesmo tempo.

Então para não pensar nada, a gente pode aplicar uma técnica: cada vez que vier um pensamento a sua mente, você vai afirmar “nao vou pensar nada”. Toda vez que vier um pensamento a mente, que sejam suas contas, sua mulher, seu marido, os filhos, seus pais, o terreiro, o carro, a casa, o trabalho ou ainda que essa aula esta demorando, que essa aula não acaba logo, que você precisa fazer alguma outra coisa e a aula não acaba…

A nossa mente e um cavalo selvagem que não quer ser domado. No momento em que eu resolvo domar a mente, eu começo a sentir dar coceira, dá câimbra, nervoso, cansaço, então a gente deve vencer tudo isso para alcançar uma pratica de meditação. Entro em meditação de fato no momento em que conseguir não pensar nada, identifico este momento quando em mim some a noção de espaço e tempo.

No começo é muito difícil não pensar nada, mas você afirma: “nao vou pensar nada” repetidas vezes e começa a perceber um intervalo, um “vácuo” entre uma afirmação e outra, um vazio entre um e outro pensamento. O objetivo é ir aumentando estes espaços vazios conseguindo um período de vazio, de “Não Pensar”. Os passos são: Não se mexer,não falar, não pensar e… não pensar que “não está pensando nada”…

Numa incorporação, no momento em que você aprende a não pensar, não falar e não agir, quem pensa, fala e age e o seu guia. Então exercite!!!

Outra técnica: No lugar de usar a frase “não vou pensar nada”, use a palavra “vazio” e experimente usar a palavra “Deus”. Posso pensar em Deus, única e exclusivamente em Deus, de maneira que nenhum outro pensamento entre. Se escolher esta pratica de “mentalização” (não é meditação) pense em Deus de maneira a chamá-lo e senti-lo dentro de você. Solte os músculos do rosto e permita sentir a presença divina, isto é bom, então se permita expressar a alegria de estar com Deus, buscando prazer e êxtase religioso desta presença.

Faça meditação ou mentalização diariamente por pelo menos 15 minutos no inicio, buscando períodos de 30 a 45 minutos, depois de uns 3 meses já se observa resultados, o que depende da determinação e disciplina do praticante honesto com sigo mesmo e empenhado em alcançar algo maior por seu próprio esforço e empenho.

Justamente as pessoas que tem maior dificuldade em não pensar em nada, as pessoas que tem dificuldade de ficar sozinhas com sigo mesmas… são as que mais precisam desta técnica.

Por: Alexandre Cumino – JUS – Outubro 2012



A APEU está realizando meditações e mentalizações coletivas, sempre na semana da primeira gira do mês. 
Horário: das 21:00 às 22:30h (tempo máximo).

Meditações coletivas em 2017

Resultado de imagem para mentalização positiva equilíbrio 05/janeiro 
02/fevereiro 
13/abril 
04/maio
30/maio
06/julho
03/agosto
31/agosto
05/outubro
01/novembro
30/novembro

Nossa intenção é buscar propiciar às pessoas um momento em que possam se "desligar" dos problemas cotidianos e desta forma, buscar, através da mente, um contato com o seu EU interior e desta forma, se envolver de forma sutil, com as vibrações do Universo. (Sandro Mattos).

terça-feira, 17 de janeiro de 2017

Convite - Louvação a Oxóssi e Comemoração do 36º Aniversário da APEU


A RAIZ INDÍGENA NA UMBANDA

Imagem relacionadaEmbora muitos não acreditem e não aceitem, a Umbanda é uma religião cristã e genuinamente brasileira. Neste contexto, a abordagem que far-se-á é indigenista e não africanista. Por quê? Devido à supervalorização, até por parte de muitos umbandistas, da cultura negro-africana, do culto aos Orixás das nações de Candomblé, criou-se uma ofuscação da questão indígena. Facilmente encontramos vasta literatura a respeito da cultura africana e muito pouco, quase nada, sobre a riquíssima indígena brasileira no que se refere a Umbanda, sendo esses índios formadores de nossa raiz ancestral e cultural. Muitos irmãos de fé dizem que a raiz-origem da Umbanda está na África. Muitos até dizem ser a Umbanda uma ramificação do Candomblé. Um fato inquestionável e indiscutível, na minha opinião (Hugo Saraiva), é que os negros africanos muito contribuíram para o surgimento do que hoje chamamos de Umbanda em solo brasileiro, mas, acredito que a raiz da Umbanda esteja na Espiritualidade. Utilizou-se ela (a espiritualidade) da miscigenação das raças e pluralidade cul-tural e teológica existente no Brasil para difundir uma "religião única", baseada na caridade e no amor ao próximo. Por ser uma filo-religião dos espíritos de Deus, os mesmos, com a permissão de Oxalá, se apresentam no mundo físico numa forma de pronto-socorro espiritual, religando o homem ao Divino através de seu en-contro e harmonização com as forças da natu-reza. Podemos então perceber que a raiz da Umbanda não está no Homem, mas sim no Espírito de Deus. Talvez devido a este fato, a Umbanda não tenha uma codificação, como o espiritismo (kardecismo) tem. Não tem um codificador (apesar de muitos irmãos quererem codificá-la) justamente para não criar certos dogmas e mitos, para não impor uma concepção única a respeito da Espiritualidade, dando-se a liberdade para que os irmãos se utilizem dos segmentos teológico-religioso que mais tiver afinidades, mas sabedor que só se chega ao Pai Maior utilizando-se da caridade desinteressada como prova de amor ao próximo, praticando assim o Evangelho de Jesus, tal qual nos foi revelado. A raiz africanista de que muitos irmãos falam, parte da forte influência da cultura negra no processo de miscigenação que "fundou" nossa religião. No entanto, esses mesmos irmãos não atentaram a analisar a Umbanda sob a perspectiva indígena. Ao chegarem os brancos europeus e posteriormente os negros escravos no Brasil, já existia aqui uma raça e uma cultura predominante: os Tupi-Guaranis e Tupinambás. Os índios, na época, já tinham seus ritos religiosos e magísticos, danças típicas como a Aruanã, danças totêmicas dos Tupis, tambores, amplo
conhecimento do poder das ervas, a faculdade mediúnica da vidência, cultuavam e reverenciavam as forças da natureza como manifestações da Divindade, tendo cada uma, um deus respectivo, que, inclusive, podemos associar aos Orixás da Umbanda. Vejamos a teogonía indígena:
 
 
Nome
Significado
Na Umbanda
Tupã
Deus Sol
Deus/Zambi
Caramuru
Deus Trovão
Xangô
Aimoré
Deus Caça
Oxóssi
Urubatã
Deus Guerra
Ogum
Yara
Deus Água
Yemanjá
Jandirá
Deus Rios
Oxum
Mitã
Criança
Ibeijadas
Jurema
Divindade
Caboclas
Estes são alguns exemplos e creio que muitos irmãos devem estar surpresos com estas informações, pois não costumamos valorizar nossa própria cultura, nossa brasilidade. Percebemos aqui, semelhanças entre cultos e rituais afro e indígenas. Raças diferentes, continentes dife-rentes, culturas diferentes. Tudo coincidência? Acredito eu, que tudo isto mostra a Essência Divina que se manifesta em todas as partes, de acordo com a cultura, a estrutura social e a he-rança religiosa de cada povo.
Fonte: Site A Umbanda com amor
Extraído do Jornal Umbanda Branca - Ano IV – Nº. 32 – Janeiro/2008